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Ardi: o ser humanoide mais antigo do mundo… Até hoje!

Ardi: o ser humanoide mais antigo do mundo… Até hoje!
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Foi com uma folha de Jornal Público sobre Ardi, datada de 2009, que entrei, com elevado furor e de rompante, numa sala de aula, naquele referido ano, para contar a novidade arqueológica aos alunos sobre a teoria da evolução humana.

Toda a aula viria a ser monopolizada por aquele artigo sobre Ardi. Um artigo que se revelou um recurso pedagógico de elevada categoria, uma vez que colocava em cima da mesa questões tão importantes como a complexidade da ciência histórica, tão inacabada como qualquer outra ciência, e aditava conhecimento a uma parte da História ainda desconhecida e sobejamente fascinante.

“Hoje vamos ler Jornal na aula?!”, assim fui abordada por um dos alunos.

“Isso mesmo! O tema da aula de hoje é manchete nos Jornais!”, respondi-lhes prontamente.

A manchete do Jornal estava preenchida com a esbelta “figura feminina” (Ardipithecus ramidus) de Ardi, um hominídeo com mais de 4,4 milhões de anos, considerado pelos especialistas o mais antigo fóssil da espécie humana, relegando para segundo plano o tão famoso esqueleto Australopithecus Lucy!

Por detrás daquele “corpo” tão bem conservado, a história de Ardi conseguia despoletar curiosidade e emoções, como nunca antes tinha visto!

ardi

Ardi

Ardi e muita história por contar…

Em 1997, depois da descoberta de Ardi nos confins africanos (Etiópia), os cientistas empreenderam uma longa jornada de mais de 10 anos a estudar ao pormenor a anatomia deste hominídeo, na ânsia de descortinar o seu modus vivendi, a sua alimentação e descobrir pontos de encontro com o que somos hoje.

A primeira grande caraterística que lhe atribuí o epiteto de hominídeo prende-se com o facto desta criatura demonstrar maleabilidade para apenas com dois membros. Ardi teria sido um habitante das florestas, detentor de uma cabeça mais pequena que um chimpanzé e, ao contrário deste, conseguia andar com ela erecta e não curvada para a frente.

Por sua vez, um outro elemento humanoide, como a oponência dos polegares em relação aos outros dedos da mão e igualmente dos pés, coloca-o longe dos primeiros primatas e mais próximo da espécie humana.

Ardi apresenta-se então como a primeira espécie híbrida, colocando a evolução do ser humano na mesma recta do nosso ancestral comum, o chimpanzé.

Uma família 1 milhão de anos mais velha

A descoberta de Ardi veio revolucionar a teoria da evolução que defendia que, embora similares ao chimpanzé, os humanos descenderiam de uma raiz paralela. Na verdade humanos e primatas descendem de um ramo comum, embora cada espécie tenha tomado orientações diferentes.

As longas pernas e braços sugerem que esta espécie conseguia igualmente subir às árvores para se alimentar e provavelmente defender dos inimigos.

Um estudo detalhado da dentição revelou que Ardi teria uma dieta diversificada e pelos vistos saudável, incluindo frutas, folhas e nozes. Por seu turno, embora aparentando um rosto simiesco, Ardi não teria uma mandíbula tão saliente como os chimpanzés e o cérebro estava alojado de forma semelhante ao nosso.

Sempre que der por si a observar os seus semelhantes, lembre-se que a nossa anatomia e forma de andar anda de braços dados com este “macaco terrestre” e que essas heranças são mais antigas do que imagina!

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"Cidadã do mundo" Empreendo um gosto especial pelas Ciências Sociais e Humanas (Licenciatura, Pós-graduação, Mestrado). Sou extremamente comunicativa e interessada pelo mundo, em geral. Uma pessoa capaz de amar o mais simples e também o mais complexo. A Escrita, o Teatro, a Música e a História fazem parte de mim, são como água para viver e ar puro para respirar. Assumo uma vontade férrea de chegar sempre mais além, de saber sempre mais um pouco, de partilhar e aprender todos os dias, de viver com vontade.